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Entrevista na Rev. Infra sobre Legionella e seus riscos

2012 April 20
by Fernando H. Bensoussan

Este mês dei uma entrevista para a revista INFRA sobre a legionella e seus riscos do ponto de vista de um avaliador de risco. A matéria conta com dois outros profissionais que abordam o tema: Dr. Dario Zamboni, professor pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e a Dra. Miriam Dilgueriam, advogada jurista e autora de um livro sobre o tema. A reportagem pode ser lida na íntegra por este link: A legionella e seus riscos (Revista Infra / Abril 2012)

A legionella nas mangueiras flexíveis

2012 February 15
by Fernando H. Bensoussan

Mangueira de EPDM revestido

Por volta de 2006, alguns estudos começaram a apontar para a possibilidade de que algumas mangueiras flexíveis usadas largamente nos sistemas de água potável poderiam de alguma forma interferir na qualidade da água consumida -  cheiro forte, odor desagrável e mudança na coloração era algumas das situações verificadas. Essas mangueiras são usualmente utilizadas como conexões entre as linhas principais de água potável e os pontos de consumo, tais como torneiras, chuveiros, bidês, e infindáveis outros.  Apesar da aparência lisa, quando vista por microscópio, o seu interior possui micro-fissuras e poros capazes de acumular os mais diversos depósitos inclusive ancorar microorganismos e facilitar a aderência de biofilmes.

Inicialmente acreditava-se que essas características eram apresentadas apenas por mangueiras de baixa qualidade e com problemas de fabricação mas na Inglaterra pesquisadores demostraram que o problema era o próprio material utilizado    no interior mangueiras e encontrado em praticamente todas as marcas. O EPDM (monomero etileno-propileno-dieno) é uma borracha sintética extremamente versátil muito utilizada em revestimentos, selantes, impermeabilizações e como material para utilizado em partes de sistemas hidráulicos, especialmente as tais mangueiras flexíveis.

EPDM

Profissionais e especialistas ligados ao risco da legionella logo se atentam para o fato de que essa borracha não apenas facilita o aparecimento de biofilmes como consequentemente aumenta o risco para legionella, especialmente porque as mangueiras flexíveis podem estar nos pontos de maior estagnação nas instalações hidráulicas e justamente no momento anterior do ponto de consumo, como em pias e chuveiros. Essa situação já gerou ao menos 2 avisos emitidos pela WRAS (orgão inglês de controle e aprovação de materiais para sistemas hidráulicos) sobre o aumento do risco específico da legionella em sistemas com mangueiras flexíveis. Embora a discussão seja muito centrada na Inglaterra, esse material também é encontrado no mercado brasileiro e é utilizado largamente.

Vale lembrar que nem todas as mangueiras flexíveis possuem EPDM, contudo, pouco se tem falado sobre todos os demais elementos do sistema de água que podem conter materiais como ele e ainda pior, como o caso de borrachas naturais que além de albergarem microorganismos e biofilmes é para estes uma farta fonte de nutrientes.

Leituras sobre o tema:

WRAS – USE OF EPDM FLEXIBLE ‘RUBBER’ HOSES (nota de jan de 2006) – em .pdf

WRAS – WATER QUALITY EFFECTS OF NON-METALLIC MATERIALS IN FLEXIBLE HOSES AND WATER FITTING COMPONENTS (nota de jan de 2011) – em .pdf

 SOBRE A BORRACHA DE ETILENO-PROPILENO-DIENO – artigo de site em português

 

PORTARIA 2914 / 2011

2012 January 16
by Fernando H. Bensoussan
tratamento-agua

Em dezembro último passado, o Ministério da Saúde publicou uma nova portaria definindo os novos padrões de potabilidade, responsabilidades e monitoramento de toda água destinada para consumo humano, seja ela produzida por Sistema ou Solução Alternativa de Abastecimento de água, é a Portaria 2914 / 2011 que substitui a Portaria 518 / 2004. Todo controle e tratamento que a água passa interfere direta e indiretamente no risco que o sistema pode aprensentar para a Legionella, além do mais, toda a água para ser potável não pode aprensetar qualquer risco previsível à saúde e a Legionella está, obviamente, ai incluída.

Download:

Portaria 2914 / 2011

Anexos da Portaria 2914 / 2011

 

Portaria do Ministério da Saúde dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade.

O Ministro de Estado da Saúde, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição, e

Considerando a Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, que configura infrações à legislação sanitária federal e estabelece as sanções respectivas;

Considerando a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes;

Considerando a Lei nº 9.433, de 1º de janeiro de 1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou aLei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989;

Considerando a Lei nº 11.107, de 6 de abril de 2005, que dispõe sobre normas

gerais de contratação de consórcios públicos;

Considerando a Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, altera as Leis nºs 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993, 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, e revoga a Lei nº 6.528, de 11 de maio de 1978;

Considerando o Decreto nº 79.367, de 9 de março de 1977, que dispõe sobre normas e o padrão de potabilidade de água;

Considerando o Decreto nº 5.440, de 4 de maio de 2005, que estabelece definições e procedimentos sobre o controle de qualidade da água de sistemas de abastecimento e institui mecanismos e instrumentos para divulgação de informação ao consumidor sobre a qualidade da água para consumo humano; e

Considerando o Decreto nº 7.217, de 21 de junho de 2010, que regulamenta a Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, resolve:

O porquê de ser baixo o número de casos de legionelose

2010 December 23
by Fernando H. Bensoussan

Um dos grandes problemas com relação a doença dos legionários diz respeito ao levantamento estatísticos da doença que atinge a população. Na grande maioria das vezes o doente é diagnosticado como se estivesse com pneumonia comum: os sintomas das duas doenças são praticamente os mesmos. Contudo, o paciente afetado pela legionella não terá melhora clínica com os antibióticos que lhe forem prescritos, os comumente utilizados para combater a pneumonia típica não tem qualquer efeito contra a legionella. Isso é uma realidade até mesmo para países que possuem tradição e pioneirismo no diagnóstico da doença dos legionários como os EUA e a Inglaterra.

O paciente mal diagnosticado, não raro, pode vir a óbito, somando-se às estatísticas das mortes causadas pela pneumonia. A única forma confiável de se diagnosticar a legionella seria por meio de exames, que podem ser simples e confiáveis, como os realizados pela urina ou por amostra de catarro do pulmão; somente assim é possível saber se a pneumonia é uma legionelose identificando-se inclusive a cepa da legionella presente no organismo enfermo.

Quanto à Febre Pontiac, a situação é ainda pior: como se assemelha a uma forte gripe, praticamente todos os casos passam despercebidos.

Sendo assim, é preciso ter cautela toda vez que se lidar com dados que propõem retratar as infecções causadas pela legionella; normalmente qualquer número apresentado, e isso é de comum acordo entre os especialistas, são sempre bastante abaixo dos valores reais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que é desconhecido o número de pessoas que se infectam a cada ano com a legionella. Uma projeção realizada pela mesma OMS tomando por base a Dinamarca – reconhecida como o país em que mais testes para detecção da legionella é realizado em pacientes com pneumonia – chegou ao valor de por volta de 10 mil casos anuais apenas nos 36 países que participam da EWGLI (sigla em inglês para Grupo Europeu de Estudos sobre Infecções causadas pela Legionella).

A mesma situação se repete nos EUA. O CDC, orgão americano para controle e prevenção de doenças, afirma não ter dados reais para os casos de legionelose no país devido à subutilização dos testes diagnósticos apropriados e também pela falta de notificação extensiva das ocorrências ao CDC. Contudo o orgão estima que de 8 a 18 mil pessoas são hospitalizadas todo ano nos EUA em função da legionella.

Os números não são baixos, especialmente para uma doença que não é transmitida de pessoa para pessoa. Para uma política de prevenção à saúde é essencial que se tenha informações sobre o habitat, o ciclo de vida, os modos como a infecção se instala, etc, contudo sem os dados sobre o número de casos, quais as pessoas afetadas, quais os responsáveis pela proliferação da doença, dificilmente essa política pública terá algum resultado extensivo.  É nesse sentido que os mais variados orgãos, desde a OMS, passando pelo CDC americano e até mesmo pela a ANVISA brasileira, tentam, alguns mais outros menos, a ter esses dados com a maior confiabilidade possível. Muitas ações já são realizadas e muito já se sabe a respeito da legionella, mas ainda há muito a ser feito para uma devida prevenção de seu perigo.

L. longbeachae a legionella que vive no solo

2010 December 14
by Fernando H. Bensoussan

Nos últimos meses foi possível acompanhar pela mídia online e redes sociais bastante discussão a respeito de contaminação de legionella por meio do solo. A princípio isso pode parecer estranho já que a legionella é inteiramente aquática. Isso não é bem verdade, existem mais de 50 espécies diferentes de legionella catalogadas e mais de 70 sorogrupos identificados. As que causam problemas para o ser humano são poucas sendo a Legionella pneumophila a mais perigosa. Mas há também a Legionella longbeachae que foi identificada pela primeira vez em Long Beach na California.

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Duas vítimas da legionella recebem indenização nos EUA

2010 December 13
by Fernando H. Bensoussan

Dois funcionários de uma empresa que administra uma rodovia no Alabama  nos EUA contraíram a doença dos legionários, com quadros de pneumonia, ficaram hospedados no hotel Wingate Inn em Oxford por duas semanas em maio de 2008. Precisaram ser hospitalizados no dia 30 de maio de 2008. Já no dia 05 de junho agentes de saúde notificaram o hotel que ele era suspeito de ter contaminado dois de seus hóspedes com a  Legionella pneumophila e foi ordenado que se isolasse alguns equipamentos (especialmente uma banheira de hidromassagem) que que poderiam ter sido a fonte de contaminação. Ao chegar no hotel no dia 07 de junho os agentes que iriam coletar amostras para análises verificaram que o sistema de água havia sido limpo e desinfetado com adição de cloro no dia anterior.

Após se recuperaram da pneumonia, ambos, alegando carregar sequelas, processaram o hotel. Um deles morreu em janeiro desse ano de um parada cardíaca aos 44 anos (não se sabe se há relações com a legionelose). Em novembro passado, o processo que foi à juri chegou a um veredicto em apenas 50 min de audiência: indenização de 4,5 milhões de dólares a ser paga pelos proprietários do hotel.

Veja as matérias:

Jury awards Jefferson County workers who contracted Legionnaires’ disease $4.5 million @ al.com (inglês)

Jury verdict nets $4.5 million from hotel owners @ The Anniston Star (inglês)